Chegada em Santiago pela Rodoviária

30/03/2012

Pronto, chegamos em Santiago por volta das 20h. Na verdade, entramos bem antes na cidade, mas é que o trânsito estava muito carregado (sim, síndrome de Paulistano: pra onde vai, leva o trânsito consigo) e ficamos uma hora e meia mais ou menos, na entrada na cidade, num tipo de Marginal Pinheiros, esperando pra chegar na Rodoviária.

Já a rodoviária era a coisa mais engraçada do mundo. Pelo que a Hermana Silvia me contou, Santiago tem umas três rodoviárias, duas delas muito boas e a nossa, a pior de todas. Ela disse que até tem vergonha dessa rodoviária e não entende como um ônibus vindo de outro país pode parar lá.

Imaginem um estacionamento. Isso era a rodoviária. Os ônibus paravam lado a lado, a 90 graus mesmo, com um espaço de 1,5m mais ou menos entre sim e abriam apenas um dos lados do bagageiro, porque não tinha como abrir do outro lado, por conta de ter outro ônibus la, já com o porta-malas aberto. Então, imaginem como foi pra pegarmos nossas bicis, jä que, pela Lei de Murphy, elas estava do lado da porta que não ia abrir.

Dai que o amigo que estava pegando as malas no bagageiro, após entregar a bagagem de todo mundo, olhou pras bicicletas com uma cara de puto, olhou pra gente e a gente “sim, são nossas, tem que tirar com cuidado, porque…” PAF!!!! Lá vai o câmbio do Gola pra cima da minha bicicleta. O cara não conseguiu tirar a primeira bicicleta, óbvio, porque elas estava amarradas entre elas com aranhas. A gente tentou muito explicar isso pra ele, mas é claro que, com o barulho imbecil de todos os ônibus a 1,5m de distância do outro, ainda ligados e a plataforma escura, porque já estava anoitecendo e não tinha iluminação, não deixaram o amigo prestar atenção sobre como deveria tirar as bicis dali.

Então, falei pro Gola: “sobre lá e ajuda ele que eu fico aqui pra pegar as bicicletas” e assim fizemos até conseguirmos tirar as duas bichinhas sãs e salvas daquele inferno.

[Pausa: no Chile tem uma coisa muito legal que se chama “proprina” que é a “caixinha” deles. Eu acho muito engraçado chamar propina. Enfim.]

Depois de conseguirmos tirar as bicicletas, o amigo do bagageiro olha pra gente e começa a gritar: “propina! propina! propina!” e a gente, recém-chegado em Santiago, sabendo falar pouquíssimo castellano, com aquele barulho infernal em volta,  não entendendo absolutamente nada, perguntamos: “QUE?!?!” e ele, pra deixar a cena mais freak ainda, estendeu a mão com um monte de notas amassadas e moedas e começou a chacoalhar tudo na nossa cara e gritar, masi ainda: “PROPINA! PROPINA!” e a gente: “….. o.O” Aí entendemos que ele queria caixinha, mas como tínhamos acabado de chegar em Santiago, não havíamos trocado dinheiro, ainda, então pedimos milhões de desculpas e saimos correndo dali.

Conclusão da história: se seu ônibus chegar na Rodoviária Los Héroes, se prepare pra passar por um momento mega estressante. Agora, se seu ônibus chegar na Rodoviária Alameda ou Santiago, você ta feito, segundo a Hermana Silvia.

Bom, fomos pedalando da rodoviária até a casa do Felipe, nosso ilustríssimo couchsurfer de Santiago, por esta rota: Rodoviária Los Héroes – Avenida Presidente Riesco. Agora, pasmem: fomos 90% do caminho por uma ciclovia muito boa e com uma infra bem legal, no meio dos dois lados da avenida, tipo na “ilha” que era um espaço de convivência muito incrível.

Conseguimos sair da rodoviária lá pelas 21h e demoramos bastante pra chegar na casa do couchsurfer, porque estávamos com todo o peso das bagagens, não sabendo nos locomover direito pela cidade e ainda um pouquinho perdidos (se não fosse o senso de direção do Gola, eu tava ferrada). Pedalamos por mais ou menos uma hora e meia neste trajeto, pela ciclovia no meio e, mesmo nesse horário da noite, com alguns pontos muito escuros, podíamos ver casais namorando, grupo de amigos conversando na grama, pessoas que saíram do trabalho e estão apenas sentadas lá olhando o movimento, pessoas andando de skate, um grupinho com um som fazendo street dance, velhinhos passeando, pessoas voltando do trabalho andando lentamente, passeando… Muito bonito! Fazia tempo que não via tanto a interação das pessoas assim com o espaço público.

Nós, paulistanos, temos uma mania de sentirmos medo em todos os lugares que estão escuros, porque enfim, nunca se sabe, né. E, a princípio, estávamos com esse receio de pedalar em um lugar completamente desconhecido, tarde da noite, em uns pontos um pouco escuros, cheios de bagagens penduradas na bicicleta. Mas, conforme os quilômetros foram passando, fomos entendendo um pouco mais do que acontecia ali. Chegamos em plena sexta-feira à noite e a cidade estava completamente tomada de pessoas vivendo a vida, saindo de casa, indo pras ruas, interagindo. Foi uma sensação muito gostosa… Uma mescla de cidadezinha do interior, só que numa praça que segue pela ilha da Avenida Bernardo O’Higgins que é tipo uma Berrini misturada com a Faria Lima! Muito legal… Tenho algumas fotos de como a coisa acontece, mas não consigo postá-las agora, preciso baixar e tratar ainda, mas dá pra ter uma ideia de uma das ciclovias aqui:

Ciclovia da Avenida Pio Nono, que tinha inclusive um recuo pra entrada de um estacionamento. Tudo fluindo muito bem.

Inclusive, Santiago tem uma infraestrutura muito incrível pra pedestres e bicicletas. Os motoristas são muito educados, você coloca o pé na rua e eles param. Alguns ônibus e alguns taxistas, claro, dão umas aceleradinhas, mas não sofremos nada de muito grave pedalando na cidade, até porque tinha bastante ciclovia pelo caminho. A maioria das calçadas tem guia rebaixada para subir e descer, o asfalto é bom… muito legal.

Então, depois de pedalar tudo, conseguimos chegar na casa do Felipe. Ele não estava, mas havia deixado a chave pra gente… Conversamos com o porteiro e ele nos deixou subir. Quando estamos passando por dentro do hall pra chegar no elevador, ouço: “Laura!”… olhei pro Gola, olhei pro lado… tipo: “oi?”… estranho. Dai o Gola grita: “SHADOW!!!!!” \o/ Eram o Shadow e o Ian que, por coincidência, tinham ido fazer alguma coisa com o Felipe (por isso ele não estava) e tinham voltado pra nos esperar!

Felizes que encontramos nossos amigos queridos e que tínhamos finalmente uma casinha pra poder fazer nossas coisas, depois de dois dias e meio num ônibus, entramos no apartamento, deixamos nossas coisas, e relaxamos, de alma lavada. Precisávamos descansar, porque afinal, no dia seguinte, era o primeiro dia de Lollapalooza…

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