La Campana – Vila Alemana – Viña Del Mar – Valparaíso!

05/04/2012

Segundo dia de pedal!!!

Perdemos a hora de acordar por causa do vinho da noite anterior, claro, tomamos café-da-manhã (fotos no finalzinho deste post) e partimos pra nossa segunda jornada, cuja meta seria chegar finalmente em Valparaíso e encontrar o Maurício, amigo do Mateo (italiando que o Gola e o Ian hospedaram em São Paulo, pelo couchsurfing) e dormirmos na casa dele por dois ou três dias. Descemos os três quilômetros do Parque Nacional La Campana até o Hotdog Kanguro, onde comemos mais “completos”, para conseguirmos seguir viagem.

Já era bem mais de meio-dia quando começamos, de verdade, o trajeto. Foi fácil sair de Olmué, por ser uma cidade tão pequenina e logo já estávamos em Limache, próxima cidade vizinha. De lá, entramos em uma estradinha com algumas subidas e descidas, mas sem grandes dramas. Achamos que o dia de pedal seria tranquilo, já que só tínhamos uns 60km pra pedalar no total.

Só que não contávamos com o trânsito um pouco caótico e pesado que pegamos, acho que bastante devido ao horário que começamos a pedalar, que não foi tão cedo como é bom ser. Quando estávamos na saída da estrada pra autopista aconteceu uma coisa muito chata. Eram umas 18h30, o trânsito estava um pouco intenso nessa estrada ainda mais por ser a saída pra autopista e tinha uma subida meio grande com carros indo um pouco rápido. Então, o Ian ficou um pouco pra trás pra me esperar e, vendo que eu já estava chegando, se manteve a uma distância pequena à minha frente. Estávamos no acostamento e o Ian estava a uns 30 metros na minha frente quando vejo um carro popular me passando bem rápido e entrando no acostamento, atras dele, meio nervosinho com as luzes de freio piscando frenéticas como muitos motoristas de São Paulo fazem, sabem… Então pensei: “oi?!” E, em seguida, vi o cara se aproximando muito do Ian no acostamento e, sem tempo nem forças pra gritar, so consegui ver a merda acontecendo.

Por sorte (porque é só sorte que explica), o cara desviou da bicicleta do Ian pegando apenas no alforje traseiro do lado esquerdo. O Ian conseguiu desclipar a tempo e nem caiu. Só se desequilibrou e tombou com o peso todo pro lado direito. Fiquei apavorada, óbvio, e gastei minhas últimas forças no final da subida pra chegar até ele e ver como ele estava, mais pelo susto do que por danos corporais, ainda bem.

Cheguei lá e o Ian estava muito puto, claro, mas como estávamos em uma estrada ruim, ele falou que estava tudo bem e que era melhor seguirmos logo até Valparaiso. Alcançamos o Gola e o Shadow, explicamos o que havia acontecido e resolvemos cair fora dali o mais rápido possível. Mal sabíamos que ainda ia ficar um pouco pior.

Chegando na Vila Alemana, deveríamos seguir pela avenida principal até a próxima estrada que nos levaria até Viña Del Mar e, a partir daí, só alegria: ciclovia de 8km até Valparaíso. Bom, já no começo da avenida pudemos perceber uma certa hostilidade dos motoristas, tanto de carros quanto de ônibus. Mesmo sendo quatro ciclistas mega-carregados, super visíveis com as luzinhas ligadas mesmo no entardecer das 19h40, ouvíamos buzinas desenfreadas, tomávamos finas muito irritantes e aconteceu até de um motorista reclamar com a gente. Eu ainda não sei se aquela avenida é assim mesmo ou se pegamos bem a hora do rush, mas um senhor motoqueiro depois nos disse que os ônibus ali não respeitam ninguém mesmo. Então, tirem suas próprias conclusões assim como tirei as minhas.

Enfim, em determinado ponto da avenida, com todo mundo já muito puto e estressado, o Ian avistou uma “panederia”, sentiu o cheiro de pão fresco e avisou todo mundo pra parar, pra comermos um pãozinho, beber uma “gasosa” e descansar um pouco a mente daquele trânsito todo infernal. Afinal, como me disse o Shadow depois: “nem em São Paulo eu nunca fiquei tão estressado assim”.

Paramos na frente de uma “peluqueria” (cabeleireiro), ao lado da padaria, e tinham dois motoqueiros na frente. Um deles era o dono do estabelecimento e, obviamente, começaram a nos perguntar de onde vínhamos, sobre nossos roteiros, etc. Entramos no cabeleireiro e um dos homens nos mostrou um desvio daquela avenida horrível, por uma rua por baixo, que seguia a linha do trem, para sairmos da Vila Alemana mais tranquilamente. Agradecemos, comemos um pãozinho que o Ian trouxe e seguimos viagem.

Pegamos a tal avenida que seguia o trem e foi bem tranquila. Entramos em uma outra estrada que nos levaria até Viña Del Mar e decidimos seguir o caminho todo pela calçada. Era uma autopista um pouco perigosa e tinha algumas saídas à direita, como a Castello, o que tornava a pedalada bem menos fluida e mais perigosa. Os ônibus eram bem agressivos e passavam muito rápido, então, resolvemos ir pela calçada que era bem ampla e não tinha muita gente passando. Fomos bem devagar, até chegarmos em Viña. De Viña, partimos pra Valparaíso, mas sem antes, claro, errar a entrada da tal ciclovia que liga as duas cidades, e termos que subir as bicicletas por uma escada pra entrarmos no outro acesso da ciclovia, mais lá na frente. hehehe. Mas, a este ponto, o estresse era tanto que pouco importava se tínhamos que subir as bicicletas em escadas, terra ou pedras. A gente só queria pedalar tranquilos na ciclovia. E assim foi até Valparaíso.

em Viña Del Mar, chegando em Valpo.

Viña Del Mar e Valparaíso ao fundo.

chegando em Valpo, finalmente, pela ciclovia!

Erramos uma entrada ou outra, mas finalmente conseguimos chegar na casa do Maurício, que estava viajando. Quem nos recebeu foi o Rodrigo, primo dele e os outros que moram na casa. Me lembrei muito do Saloon quando entrei: casa antiga, vários quartos, pessoas legais morando, dinâmica sempre muito rápida, porém mega-amigável, liberdade total de ir e vir e um clima muito gostoso. Todos que moram aqui são estudantes de arquitetura. São um pessoal muito interessante.

Bom, resumindo, chegamos aqui dia 05 de abril, à noite, como está escrito no início do post. Era para ficarmos até três dias no máximo e seguirmos viagem pra Los Andes pra, finalmente cruzar o Passo dos Libertadores e subir os Caracoles. Porém, nos apaixonamos tanto por Valparaíso que estamos aqui até hoje (quuinta-feira). Ontem à noite, fez uma semana que chegamos aqui e não queremos sair mais… (ainda vou fazer um post só sobre esta cidade portuária linda pra vocês entenderem melhor porque todo mundo que vem pra cá, se apaixona).

Sabemos que vamos ter que seguir viagem logo mais, porque o Gola viu hoje na internet que já tem notícia de neve em alguns trechos do caminho que pretendemos passar e algumas estradas ficam fechadas por causa do clima, as vezes. Então, decidimos que vamos recusar TODOS os convites de festas e programações culturais que fazem pra gente e vamos partir amanhã, sem falta. Vamos ver se dá certo…
Enquanto isso, vamos vivendo aqui, nessa cidade incrível, maravilhosa, onde, pra ajudar, o sol se põe bem no Pacífico das Águas Geladas. 🙂

PS.: desculpem a falta de fotos neste post, mas o dia de pedal foi TÃO estressante que ninguém conseguiu tirar a câmera da bolsa durante todo o trajeto, só no finalzinho, que são as únicas fotos que tem aqui.

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3 pensamentos sobre “La Campana – Vila Alemana – Viña Del Mar – Valparaíso!

  1. Walter Fialho disse:

    Laura, estou muito feliz em poder ler seus relatos sobre a viagem. Vai ser uma aventura inesquecível. Como certeza vocês terão muitas histórias para contar para os seus filhos, netos e bisnetos. É impressionante como em todo os lugares o problema de transito é sério. A falta de respeito e de colaboração é uma marca dos motoristas do mundo inteiro. De qualquer forma a recompensa veio. A estada em Valpariso valeu todo o sacrifício e stress da viagem. Desejo a vocês dias memoráveis. Beijos.

  2. Belisa disse:

    Laura! O Fábio me passou hoje o endereço do seu blog! Estou adorando os seus relatos!!

    Que linda a viagem!

    As fotos de vocês quatro estão muito legais!

    Me identifiquei muito com a parte do relato que você descreve o orgulho de parar o grupo! Eu sei como é! Mas, o lance é não chegar no limite!! Quero acompanhar os próximos passos! Tá dando até vontade de fazer uma cicloviagem!

  3. shadow11 disse:

    Meu! Foi muito tenso mesmo. Até rolou um stress meu com o grupo, porque eu queria sair pra paralela…. mas no final deu tudo certo!

    Ah, mais uma coisa que lembra muito o saloon: a segunda porta não abre direito e tem que subir uma escada para entrar! hehe

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